O mundo de Colt

Postado em Uncategorized em janeiro 29, 2011 por coltnightingale

Colt M. Nightingale é uma criação combinada de Zé e Alcidess (Potemkin e Tirinhas Pcep, respectivamente). Escrevendo capítulos alternados e sem terem conhecimento do desfecho que o outro planeja, eles estão escrevendo um romance policial que pode ser qualificado apenas como diferente de tudo que você já viu. Este blog foi criado para divulgar a história mais inconsistente e irregular da literatura policial.  Bem vindo ao Mundo de Colt. Aproveite tudo que duas das mais brilhantes mentes de nosso tempo tem a oferecer.

Sobre os autores:

Zé: Dono do Potemkin, um dos blogs menos badalados e mais sensacionais da internet, já é brilhante apesar da pouca idade (17 anos). Fluente em diversos tipos de escrita, este jovem desfila toda sua habilidade na internet desde 2009 e não dá sinais de cansaço. Escreve com uma freqüência impressionante e sem deixar de manter a qualidade e a diversidade. Sendo está última, de acordo com o jovem escritor, sua principal qualidade. Link do Potemkin: www.encouracado.blogspot.com

Alcidess: Um pseudônimo. Um homem por trás da máscara que dá vazão a sua veia lírica através da escória da literatura. Histórias em Quadrinhos e Romances Policiais. Fala pouco, mas escreve muito. Não gosta de frases curtas. Detesta. Mas acima de tudo, Alcidess é uma ironia. Das grandes. Link do Tirinhas Pcep: http://tirinhaspcep.wordpress.com/

 P.S: A história segue abaixo, se é sua primeira vez, eis o link do primeiro capítulo: http://cmnightingale.wordpress.com/2011/01/29/capitulo-1/

P.S2: Lembrando que a ordem é Alcidess(ímpares)/Zé(pares)

Capítulo 7

Postado em Uncategorized em maio 6, 2011 por coltnightingale

Ah, os becos. Me lembram a minha infância, sabia? Mas sabe como é, um detetive nunca tem tempo para reminiscências. Tinha um homem de sobretudo atrás de mim e de Forest. Tinha uma mulher com uma arma que não teve nem a decência de apontá-la para mim. Tinha um caso a resolver. Definitivamente, não havia tempo para lembranças.
Corri até uma distância segura. O Harlem não é o melhor lugar do mundo, mas dá para se virar. Às seis da manhã tudo é mais tranqüilo, exceto as fábricas. Fábricas. Talvez fosse uma boa idéia averiguar uma das fábricas do Van Henegar. Quem sabe os operários têm alguma coisa a dizer sobre o presunto.
Caminhei pela neblina até chegar aos portões da fábrica. Neblina, típico. Tocou o apito chamando os operários para o trabalho. Apito, típico. Ia procurar o gerente, talvez tivesse alguma ligação com os Van Henegar, talvez conhecesse alguém de dentro. Talvez. Era uma possibilidade.
Um escritório. Pequeno. Maior que o meu. Um sujeito corpulento aparentava ser o gerente. Os fios de cabelo pareciam ter desistido de sua vida patética no topo da cabecinha daquele homúnculo e tinham cometido suicídio coletivo. A careca era vermelha. Vermelha como o bigode do velho irlandês.
_Irwin Mac O’Connor, prazer em conhecê-lo senhor Colt, sou o gerente da fábrica Van Henegar de alfinetes e botões. Posso ajudá-lo?
_Mac O’Connor? Decida-se, é irlandês ou escocês? – eu disse isso como uma piada, meu meio sorriso no canto esquerdo confirmava minhas intenções. Irwin tomou isso como uma ofensa pessoal, meu meio sorriso no canto esquerdo também confirmava essa hipótese.
_Sou irlandês de pai escocês. Vim para cá com 12 anos. Algum problema senhor Colt? – senti que seus olhos me fuzilavam, como os dos Van Henegar. Talvez o olhar não fosse tão genético assim.
_Nenhum, senhor, minha avó também era irlandesa. – mentira, mas são ossos do ofício. E parece que a mentira surtiu efeito, ele agora estava sorrindo de orelha a orelha. – Posso fazer-lhe algumas perguntas acerca do seu patrão, o senhor Teophilus Van Henegar? – o sorriso desapareceu.
_O crápula? Pf, queria que estivesse morto! Dizem que o homem se fez sozinho, há! Que não precisou sequer dos próprios pais! Quando eu o conheci ele já estava rico e era dono dessa fábrica. Vim ser escravo nesse inferno! – apanhou um copo de Scotch – Pf! Eu trabalhava vinte horas, fazendo alfinetes! Para um dia virar gerente! Oh! Ser gerente era o sonho de metade dos garotos! Tinha prestígio, um salário fixo, você podia trabalhar sentado. Há! Eu me fiz sozinho! O Teophilus era um ladrão! Ladrão de bancos, senhor Colt. Como você acha que ele fez essa fortuna? Ele deu um golpe, roubou mais dinheiro do que tinha no banco. Chantageou o dono do banco a assinar uma nota promissória no valor de 500 mil dólares e foi descontando o dinheiro em cada banco de cada cidade até ter tudo em dinheiro vivo! – tomou um gole do Scotch.
_Mas ele não teve que pagar a nota depois?
_Há! O Teophilus é uma raposa. Colocou a nota no nome de um colega e depois o matou. E pronto, 500 mil na mão. Subornou alguns policiais e ficou tudo por isso mesmo. Mas se você andar pela fábrica todos sabem disso. Só que ninguém comenta. – mais um gole e o semblante escureceu – Ninguém comenta porque todos têm medo. Sabe, senhor Colt, eles têm família, não podem perder o emprego.
O caso ficava mais interessante, o velho Van Henegar era um ladrão, conhecido. Me intrigava como eu, um detetive, bem informado, atento, não sabia disso. Droga, tenho que ler jornais.
_Diga-me, Irwin, sabe, por acaso, qual era o nome do colega do senhor Van Henegar?
_Se eu sei? Há! – mais um gole. Eu já estava ficando apreensivo. Por favor, note que são goles irlandeses de um whisky escocês, pense em meia garrafa. – Ninguém sabe o primeiro nome, alguns dizem August, outros dizem Mortmer, só o sobrenome que sempre bate. – ele fez uma pausa, tomou outro gole. O diabo sabia sabia fazer suspense. Me olhou profundamente, parecia que ele seria baleado se dissesse o nome. Como se um assassino estivesse escondido atrás da cortina e fosse pular com uma pistola na sua frente para matá-lo. Não se brincava com Van Henegar. E ele sabia disso. – Em todas as histórias o amigo se chamava Campbell.
_Senhor Mac O’Connor, pode ficar tranqüilo, Teophilus morreu.
Saí em disparada, a pista era quente, o dia era quente. Tudo caminhava a passos largos. Campbell. Se tudo fosse como eu pensava que seria a minha lua de mel com Rose seria em Paris.
Mas sabem como é, essas coisas nunca são como a gente pensa.

Ajude a divulgar a maravilhosa e sensacional história do Colt!

Postado em Uncategorized em fevereiro 10, 2011 por coltnightingale

Ei, você, sim, você! Ajude-nos a divulgar essa maravilhosa e sensacional (além de marcada pela modéstia dos autores) história policial! Divulgue para o mundo a melhor coleção de frases de efeito do submundo investigativo da Nova Iorque dos anos 40! Mande o endereço do nosso blog para todos os seus amigos / amigas / rolos / conhecidos distantes, basicamente para qualquer um que tenha mostrado em algum momento um ligeiro interesse por literatura policial de qualidade duvidosa.

Nós não somos exigentes com relação ao nosso público. Sabem como é, a gente escreve isso só pela diversão e gostaríamos de compartilhar essa diversão com o máximo de pessoas possível!

Alcidess, um dos redatores da história mais irregular e imprevisível do gênero policial jamais escrita!

Capítulo 6

Postado em Uncategorized em fevereiro 10, 2011 por coltnightingale

Eu tinha meus olhos na moça e minhas mãos no revólver. Eu não tinha nada contra ela matar o alemão. Na verdade, era até mais lucrativo, porque eu não precisaria pagar meu macchiato. O problema é que ela podia atirar em mim e eu não estava em clima de ser baleado essa manhã. Detestaria ter que explicar para a polícia o que uma bala estava fazendo no meio da minha testa. Sempre fui rápido no gatilho, mas decidi esperar para ver o que ela ia fazer. Seria ainda pior ter que explicar o que ela fazia com uma bala no meio da testa. Além do mais, preso eu perdia a grana do caso Van Henegar. E sem grana, sem suborno.

- Fique com o troco- disse ela ao barman e disparou- A gente se vê por aí, Colt. E só pude ouvir um carro arrancando à toda.

Meus sentidos de detetive dispararam. Rapidamente bebi o macchiato, que ela nem havia tocado. Estava quente. E eu também. Esse é o tipo de coisa que me deixa realmente irritado. Uma pessoa aparece com uma arma e não têm nem a decência de apontar para mim. Pelo menos ela pagou meu macchiato. Os dois.

Miss Havish. Foi isso que pude ler no pacote endereçado a ela. Uma análise rápida do cadáver revela que ela deve trabalhar para alguém. Foi fácil de notar, porque ela o matou a sangue frio após receber o pacote. Isso sem contar que foi um tiro terrivelmente profissional, sem chance de sair vivo.

Miss Havish poder ter alguma coisa relacionada com os Van Henegar. Como se sabe, fortunas não se erguem sozinhas e Teophilus era um homem de caráter no mínimo dúbio e sabe-se lá de onde que veio toda aquela grana. Mas, porque ela não fez nem menção de atirar em mim? Talvez eu não estivesse nos planos, ou talvez ela quisesse ser perseguida. Mas nesse caso, porque o carro?

Ela me deu algo para pensar no caminho. Fui me encontrar com Forrest. Hoje eu vou entrevistar os Van Henegar. Com certeza alguém invadiu o quarto de Teophilus durante à noite e preciso saber duas coisas: quem teria algum motivo e como a senhora Van Henegar, esposa de Teophilus, não percebeu. Ou os criados. Ou Rose e Jack e os gêmeos, caso ali morassem. Essa é com certeza uma família estranha.

-Forrest! Você nunca vai adivinhar o que aconteceu essa manhã. Nosso jogo acaba de ficar mais divertido!

E lá estava meu amigo parado na esquina, fumando.

- Você está pronto para conhecer seu mais novo cliente? Não se esqueça de ficar atento ao sinal combinado e lembre-se que vamos ter que nos separar quando estivermos entrando. Ah, olho vivo. Pode ser que estejam nos seguindo, então nós teremos que arranjar maneira de despistá-lo. Hoje eu sinto que é um dia para o plano 6-b. O que você me diz?

- Você que manda Colt. Mas me responda, porque anda tão preocupado.

Contei-lhe a história. Ele ficou me encarando por um momento, em silêncio. Abria a boca para dizer algo. Pus a mão sobre a boca dele e disse:

-Shh! Estamos sendo seguidos por aquele homem de sobretudo. No três a gente põe o plano 6-b em ação, ok? 1, 2, 3.

E nos perdemos nos becos de Nova York.

Cápitulo 5

Postado em Uncategorized em fevereiro 7, 2011 por coltnightingale

A vida de um detetive é algo que pode ser descrito como instável, perigosa e altamente questionável. Sabem como é, ir atrás de pistas, pagar informantes, chantagear uma meia dúzia de envolvidos e fugir dos cobradores. Hoje, contudo, eu não fui atrás de pista alguma, estava no café, bebendo lentamente o meu café macchiato. Um dia de salário descendo goela abaixo. Não fazia mal ao cérebro, mas fazia mal ao bolso. Lentamente. Centavo a centavo. Hoje, a pista veio até mim.
Eu estava recostado na minha cadeira, era cedo ainda, cinco e meia da manhã. Estava frio. Era um café vazio, poucas pessoas conhecem o endereço e os que conhecem encontram muita dificuldade para chegar. Ficava na esquina da 13ª com a 14ª. Fácil. Entrou uma mulher de sobretudo. Chic, très chic.
Alta, não muito, morena, ligeiramente, cabelos pretos um ar extremamente familiar. Sobretudo cáqui, masculino, ou fora roubado ou era herança de algum tio. Os cabelos não desciam avolumados como madeixas de veludo cotelê cobrindo os ombros. O cabelo estava controlado com um coque. Os olhos estavam tampados com um chapéu de aba larga, cáqui, combinando com o sobretudo. Como eu sabia que era uma mulher? Eu tenho um sexto sentido.
Caminhava a passos decididos ao balcão. A cena ficava interessante, eu acompanhava com muito interesse, ou eu olhava para a mulher ou para as moscas em cima do bêbado. Convenhamos, mesmo sem as moscas ela era um espetáculo mais interessante. O barman, um homem calvo, de bigode meio alemão e de um rosto ainda mais alemão, a olhava com apreensão.
_O que deseja?
_Um macchiato. – o meu meio sorriso do canto esquerdo apareceu. Era o meu tipo de mulher, ou pelo menos de café.
O barman se virou, mas não foi mexer na máquina de café. Ele foi aos fundos do estabelecimento, ao depósito. Me dirigi ao balcão no qual ela estava debruçada. Discretamente apoiei a minha xícara e esperei. Ele voltou com um pacote embrulhado em papel pardo com um barbante. Simples, mas eficaz. Tinha um bilhete. “A ser entregue à Miss Havish”. A mulher debaixo do sobretudo sorriu. Meio sorriso no canto esquerdo, familiar de mais. Pegou o envelope e o colocou debaixo do casaco.
Virou-se para mim:
_Senhor Nightingale, o que fazem os corvos à noite?
Hesitei. Ela sabia o meu nome. Sabia quem eu era. Talvez soubesse que eu estava investigando os Henegars. Talvez o próprio macchiato tenha sido uma provocação. Ela estava de conluio com o barman. Eu tinha que ser rápido, manter o sangue frio e responder a altura.
_Querida, os corvos choram.
_Não, eles choram de dia, à noite ele voam. – o meio sorriso dela se deslocou para o canto direito. Aquilo me arrepiou. E eu não me arrepio facilmente.
Rapidamente, sua mão esguia esquivou-se para dentro do bolso do seu sobretudo e puxou uma arma. Pequena. Mas letal. Tiro único. Rápida. E a apontou para o barman. O sujeito estava suando. Tinha o medo estampado em sua testa ligeiramente alemã. Um medo de alemão.
Ela continuou sorrindo e olhando para mim.
_Lembre-se, voar não é para todos.

Capítulo 4

Postado em Uncategorized em fevereiro 5, 2011 por coltnightingale

Eu estava sentado no café. Você deve estar pensando: “O que diabos faz um detetive particular num café?” Ao contrário do que muitos imaginam, eu não sou o tipo de cultivar vícios e encher a cara de uísque faz realmente mal ao cérebro. E eu trabalho com o cérebro. Não conheço nenhum carpinteiro que quebre suas ferramentas, então porque eu deveria quebrar meu cérebro?
Além do mais, um expresso ajuda a te manter sempre atento.
Bebi rapidamente, sem açúcar e saí. Eu tinha um encontro marcado.
O Brooklyn não é exatamente um lugar de boa reputação, mas é exatamente o tipo de lugar que eu estava precisando. E já estava quase na hora.
Ouvi passos. Um garoto de não mais de quatorze anos. Baixo para a idade, mas bastante ágil. Italiano.
- Está atrasado Vicenzo.
- Desculpe Sr. Nightingale. Eu estava tomando conta dos meus irmãozinhos. Minha mãe estava trabalhando e meu pai…
Eu achei que ele fosse chorar. O sumiço do pai ainda era recente. Mas ele não deu sinais de emoção. Bom. Os fracos não sobrevivem aqui.
- Tudo bem Vicenzo. Escuta, eu preciso que você faça uma invasão para mim. Mansão Van Henegar. Eu acho que eles estão escondendo algo de mim. Não pergunte, não conte e mais importante, NÃO MEXA EM NADA!
- Desculpe pela última vez é que…
- Não interessa a última vez. Você quase pôs tudo à perder. O pagamento é o de sempre, mais um maço de cigarros. Estamos de acordo?
- Sim senhor Nightingale!
- Não vá ainda. Está é uma missão super secreta. Exijo o máximo de discrição. Outra coisa. Eu preciso disso com urgência. Quinta-feira, mesmo horário?
- Fechado senhor Nightingale?
E o garoto saiu correndo como o vento.
Você deve estar pensando que tipo de cara contrata um garoto para fazer um trabalho desses? Mas esse não é um garoto normal. Ele é mais esperto que a maioria dos adultos que eu conheço. Sabe se livrar de encrencas. E quer ganhar dinheiro e sair daqui. É um investimento bom e barato.
Meti as mãos no bolso do meu sobretudo e segui em frente. Era hora de ir contatar o meu último especialista do dia. Peguei o metrô e fui em direção ao meu apartamento.
Entrei e lá estava ele esparramado pelo sofá.
- Forrest! Deixa de ser vagabundo e acorda! Você nunca cansa de dormir?
Aqui vão algumas coisas que você gostaria de saber sobre meu amigo: Forrest G. Defoe é um jovem de 24 anos alto e corpulento. Pode ser descrito como um saco de músculos falante. Ele lutou no Japão e foi expulso da força aérea uma semana antes de Hiroshima, quando ele pilotaria seu avião e terminaria com a guerra. Apesar de todo esse tamanho, ele possui uma impressionante capacidade de seguir as pessoas. Na verdade, se você é seguido por Forrest, você não o nota mesmo que seja no banheiro. Como ele veio morar comigo? É uma história digna de nota, mas deixa para depois. Agora é hora de resolver o caso de Teophilus.
-Forrest! Acorda!
- Colt, o que você tem contra o sono?
- Anda lá garoto, eu sei que você não trabalha.
- Hoje eu fiz um serviço…
- E acaba de ganhar mais um.
Ele me encarou ansioso. Ele sabe o tipo de serviço que eu tenho para ele. É o que ele mais gosta de fazer: altamente perigoso e possivelmente ilegal.
- Diga- disse ele tentando conter sua animação.
- Você sabe quem é Jack Campbell?
- Hmmm… Não.
- É o marido de Rose Van Henegar, herdeira da maior fortuna de Nova Iorque. Sua tarefa a partir de amanhã é segui-lo dia e noite e me relatar diariamente o que ele anda fazendo.
- Ok. E o que ele tem a ver com você?
- Te conto depois.
- Pagamento?
- Sério? Só o apartamento…
- Eu já cansei dessa conversa. Tudo bem, dessa vez é por conta da casa.
- Sabia que podia contar com você garoto.
- Como eu vou seguir alguém que eu não conheço?
- Deixa comigo. Amanhã você descobre. Falando em descobrir, você tem algum disfarce à mão? Pode ser útil. Por hora vamos dormir que o nosso da amanhã será cheio.

Comunicado

Postado em Uncategorized em fevereiro 3, 2011 por coltnightingale

Caros leitores e leitoras, é com muito pesar que escrevo essas linhas. Eu e Alcidess começamos com este projeto pois era nossa vontade levar um romance policial de qualidade à leitores e leitoras de todo o Mundo e, mais importante, nos divertimos juntos. Porém, chegamos a conclusão que não podemos seguir adiante da maneira como o blog foi originalmente concebido. Não achamos que vamos conseguir manter o ritmo original. Além do mais, este blog não está divertido… Por isso, anunciamos a suspensão de nosso projeto conforme foi concebido. A partir de agora, vocês não verão mais Colt as quartas e sábados, mas sim em freqüências aleatórias! Quando eu disse que não estava divertido, é porque não estava divertido o suficiente! Agora, com a nova freqüência, o blog ganha em imprevisibilidade e diversão, podendo até ser atualizado diariamente, porque não?? Abraços e boa diversão!

Ass: Zé

P.S: Agora a Colt tem tumblir! cmnightingale.tumblr.com/

Capítulo 3

Postado em Uncategorized em fevereiro 3, 2011 por coltnightingale

 

A cena do crime era basicamente um quarto bastante bagunçado,  gavetas reviradas, sinais de luta por toda a parte, um ambiente bem escuro, muito escuro. Era culpa das cortinas. Pesadas cortinas de veludo, tinham uma cor estranha, parece que variavam subitamente de um verde abafado para um vermelho meio envelhecido. Comentei o detalhe:

_Que cor estranha a dessas cortinas. Parece que são dois panos costurados um por cima do outro.

_Isso é o sangue do Teophilus. – nesse momento deu para sentir uma certa indignação misturada com despeito da parte dele. Acho que essa família não vai muito com a minha cara.

Realmente, era sangue, tinha sangue pela cortina inteira, mas de onde teria vindo, ond- Ah! Tinha um corpo na cena do crime! O corpo do próprio Teophilus! Um corpo coberto de sangue…

_Ah, olha, achamos o corpo! – o olhar que eu recebi de Jack acabou com o meu ânimo, aparentemente eles já tinham identificado o corpo, aparentemente, eu era o único que não tinha visto o corpo logo de entrada. Que culpa tenho eu? Sou meio autista, não reparo nas pessoas, o ambiente sempre me chama mais a atenção.

Me abaixei e comecei a inspecionar o morto, estava vestindo um pijama completamente ensanguentado. Não havia nada nos bolsos, ainda estava com o seu relógio. Continuei a inspeção por mais uma hora quando fui convidado para almoçar. Não gosto de almoços, mas era uma boa situação para conhecer os Van Henegar.

Estávamos agora na sala de jantar, nos sentamos à mesa e a refeição foi servida. Fico muito feliz de finalmente ter descoberto o que é um faisão com caviar, tem gosto de cachorro quente, mas sem ketchup, além de ser muito melhor, evidentemente. Na verdade, nos últimos tempos eu só tenho comido cachorro quente sem ketchup, acho que se eu provasse a toalha ela teria gosto de cachorro quente sem ketchup.

Gosto das banalidades. Elas aliviam a cabeça das grandes questões da vida e do trabalho. Mas, ou um ou outro, acabam sempre voltando à superfície dos pensamentos.

_Diga-nos senhor Nightingale, quais são suas impressões sobre o caso. – uma frase inocente que adquiriu proporções bíblicas na voz do sr. Jack. Engasguei com o faisão.

_Querido, não é um assunto para ser discutido à mesa do almoço! – a doce voz da senhora Van Henegar. E ela estava do meu lado! Meu meio sorriso do canto esquerdo voltou a aparecer e se dirigiu a ela. Mas eu continuava engasgado.

_O detetive que você contratou me parece incompetente de mais para esse caso, na cena do crime ele levou meia hora para encontrar o corpo e ainda criticou as cortinas! – em geral eu sou bem compassivo nessas situações, mas eu já estava ficando vermelho e asfixiando, fui tentar pedir ajuda aos gêmeos. Um deles estava com os olhos fixos na discussão dos pais, o outro olhou de volta com o típico olhar dos Van Henegar, aquele que diz: “Morra Nightingale!”. Acho que foi ele que escolheu as cortinas.

_Não me importa se você acha que ele é competente ou não. Ele resolveu os maiores casos de Nova Iorque! – eu fui retrucar, dizer que tinha sido apenas sorte, mas algo me fez ficar calado. Não sei se era o faisão ou o caviar, ou ambos. Talvez o bom senso.

Enquanto o casal trocava farpas eu fui rapidamente socorrido pela copeira que tinha acabado de voltar para sala. Pensei em soltar um gracejo para agradecer a ajuda providencial. Mas a senhora Van Henegar me distraiu. “Sr. Nightingale, por favor, é melhor que se retire, meu marido pode ter um colapso nervoso a qualquer momento e eu não quero que isso aconteça”.

Pode parecer meio grosseiro daí, mas ela disse isso com o afável tom de quem acaricia cachorros em um lindo dia ensolarado. Apesar de que o rosto dela era mais o de alguém que queria me matar lenta e dolorosamente de uma forma cruel e sanguinária que escapa aos mais horripilantes devaneios da minha imaginação. Interiormente eu queria cair dentro de um buraco e sumir daquela casa. Exteriormente o máximo que eu consegui foi um meio sorriso do canto esquerdo, que foi muito mal recebido pelo marido.

Mas eu sou duro, não me importo com o que os outros acham, só me importa o pagamento.

Na saída encontrei a copeira, agradeci devidamente a ajuda. Era jovem e bonita. E tinha um meio sorriso no canto esquerdo também! Perguntei se ela sabia se o casal Henegar discutia assim o tempo todo.

_Só em público.

Minha vez de sorrir. Perspicaz a menina. Saí da mansão. Quinze minutos depois saí do jardim. Fora uma visita produtiva, agora eu sabia quem ali dentro me queria vivo e quem me queria morto. Agora era hora de analisar o que eu tinha e descobrir mais informações. Fui contatar meus informantes.

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